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28 agosto 2008

Funcionária Fantasma

Segundo o repórter Toninho Nascimento da Radio Banda B, o Deputado Carlos Simões, do PR, a esposa e o sogro foram denunciados pelo Ministério Público de terem se apropriado do salário de uma funcionária fantasma, no esquema que passou a ser conhecido como gafanhoto.

Segundo a denúncia, a mulher não sabia que era funcionária do gabinete do deputado. Simões é o primeiro político paranaense denunciado à Justiça pelo envolvimento no esquema gafanhoto dentro da Assembléia Legislativa, que caracteriza desvio de dinheiro público, peculato.

A Assembléia e 52 deputados e ex-deputados estaduais são alvos de investigação do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, que corre sobre segredo de justiça, para apurar a contratação de funcionários fantasmas e o suposto desvio de recursos públicos por meio do depósito dos salários de vários servidores da Casa numa única conta bancária.

O trabalho do MP começou em 2003, depois que uma funcionária da Caixa Econômica Federal, Fátima, procurou o MPF relatando problemas na declaração de seu Imposto de Renda do ano de 1999. Em depoimento, a funcionária da Caixa contou que, mesmo sem nunca ter trabalhado na Assembléia, aparecia na lista de funcionários da Casa.

Os promotores então descobriram que, em 1999, a funcionária do banco teria deixado cópia dos documentos pessoais com Adriana Rosana Moreira Cruz, esposa de Simões, depois de procurá-la para conseguir um emprego na Assembléia. Fátima não obteve o cargo. Mas, segundo o MP, com os documentos dela em mãos, Carlos Simões providenciou a nomeação de Fátima, sem que ela soubesse, em seu gabinete. O decreto de nomeação, de número 255/99, é de 17 de junho de 1999.

Extratos bancários comprovam a denúncia: os vencimentos da servidora da Caixa foram depositados por 11 meses na conta de número 271.209-3, da agência 125 do antigo banco Banestado. O titular da conta era Geraldo Cruz – sogro de Simões, que foi denunciado pelo MP por receber os salários dela em sua conta pessoal.

Interrogatório

A denúncia contra Simões, a mulher e o sogro foi oferecida em 2007, mas só em abril deste ano é que ela foi recebida, por unanimidade, pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Paraná. O desembargador Carlos Hoffmann é o relator do processo, que corre sob segredo de Justiça. Ele deve agora interrogar, sem data definida, os três réus da ação. Em seguida, ouve as testemunhas, para só depois o caso ir a julgamento no Órgão Especial. Se condenado, Simões pode perder o mandato de deputado e os direitos políticos, além de pagar multa.

Texto do blog de Fábio Campana.

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